A natureza humana esconde esconderijos que não conhecemos. E somos expostos às nossas terríveis complexidades quando menos imaginamos.

O psicólogo Philip Zimbardo é um bom exemplo dessa busca pela composição da nossa acção/reacção. E se reagimos impulsivamente e instintivamente, quando somos expostos a uma determinada situação limite. Este reconhecido médico especialista nesta procura, dirigiu até as operações de um estudo complexo acerca destes mesmos comportamentos. Neste Estudo na Prisão de Stanford, realiza-se a experiência com jovens equilibrados, sem doenças mentais e saudáveis, colocados como cobaias, num hipotético instituto prisional. No qual alguns jovens seriam os guardas do mesmo espaço e os restantes prisioneiros. E aquilo que nos pareceria lógico à partida, de que estes jovens, conscientes do próprio estudo e da essência daquilo que se procurava, nunca se renderiam a impulsos primitivos e selváticos, revelou uma natureza humana capaz de se transformar e alienar completamente. Na voz do próprio psicólogo e director de operações deste estudo, o que acabou por acontecer, tornou-se em poucos dias caso de grande choque humano. Estes jovens terão assumido claramente os seus papéis de ficção, ao ponto em que acreditaram e se tornaram nesses mesmos actores sociais. E em muito pouco tempo, os abusos começaram a acontecer. Prisioneiros torturados, colocados mais tempo do que seria legalmente permitido em solitárias, níveis de agressividade ao extremo e um choque directo entre forças opostas (guardas vs prisioneiros), que foram imediatamente assumidas. Esta realidade durou algum tempo, levando até mesmo ao exagero dos comportamentos entre estas simples cobaias, que resultaram até em choques psicológicos graves para alguns destes elementos envolvidos. 5 dos envolvidos tiveram colapsos nervosos. Mas o que retiramos, para além da clara natureza instintiva e reactiva que se apodera dos seres humanos socialmente realizados é que estes jovens apenas perpetuaram este comportamento porque estavam crentes na direcção do próprio estudo. Apenas quando uma jovem namorada de um destes prisioneiros resolveu agitar as consciências e colocar em causa o estudo e o exceder dos limites por parte dos envolvidos, é que Zimbardo assumiu os verdadeiros contornos. Que não foram naturalmente propositadas. Podemos reflectir sobre este tema e acreditar num ponto comum. Os seres sociais necessitam de regras e de serem liderados. Até esse momento, deixam que o instinto se apodere dos seus actos. E chegam ao pior dos limites. Esquecem-se deles próprios e deixam de ser reflexo do modelo social que tiveram. Este é um estudo perturbador, que nos faz colocar em causa  muitos aspectos humanos. Mas o que é certo é que devemos contudo descobrir a real força dentro de nós mesmos. E nunca aguardar que sejam aspectos e forças exteriores a definirem os nossos limites.

Ana Rita Clara

A BUSCA SEM SAÍDA