Em dias de dramas constantes, policiamentos de consciência e até crises existenciais religiosas e sociais, talvez seja bom voltarmos à essência de tudo o que nos representa. E que procuramos. Apercebi-me já há algum tempo, de que a verdadeira busca individual, resulta na potencialização e reprodução de momentos de verdadeira e intensa felicidade na nossa vida. Queremos sempre, quase como por instinto animal, preservar esses “prazeres” que nos abafam as dores e nos fazem sentir conectados com o outro. E não considero nada de errado nisso. Deverá até ser uma atitude sincera e constante nas nossas escolhas. E se falamos dessa escolha para a felicidade, também o nosso padrão comportamental deverá estar programado para que isso aconteça. De dentro para fora e na maneira como encaramos o outro. Num seminário para casais da Universidade de Fresno (Califórnia), a reacção de uma esposa a uma questão sobre a sua felicidade e se o marido desta a fazia feliz, conseguiu agitar a consciência pessoal de todos os presentes naquela sala. Em jeito expressivo e inquieto, a esposa responde… “O meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz”. “E o facto de eu ser feliz ou não, não depende dele e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas. Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, a minha saúde física e mental. Poderia citar uma lista interminável. Eu preciso decidir ser feliz independentemente de tudo o que existe! Se tenho hoje a minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se o meu emprego é bem remunerado ou não, eu sou feliz! Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de “experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria ou tristeza”. “Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.” “Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque está muito frio, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque o meu marido não é como eu esperava, porque os meus filhos não me fazem felizes, porque os meus amigos não me fazem felizes, porque o meu emprego é medíocre e por aí fora.” “Amo a vida que tenho mas não porque a minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo pela minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregarem nos seus ombros.”“A vida de todos fica muito mais leve.” Talvez seja este o pensamento que nos deve ocupar esta semana. O da escolha perfeita. De sermos felizes, por nós mesmos.

Ana Rita Clara

A FELICIDADE VIVE AQUI TÃO PERTO