Existem poucas coisas que nos remetem logo para a exaltação da mente. Principalmente se falamos de crescimento interior, de um encontro perfeito entre aquilo que se deseja alcançar e aquilo que somos. Viajar provoca essa magia. Permite essa evolução fluorescente. Colorida de reacções, instigando o olhar atento e preciso. É como se nos libertássemos da nossa própria pele, para vestirmos outra derme, outra essência. Poderá até mesmo ser um dos maiores vícios, enquanto algo a que não se consegue resistir. Porque saímos da nossa caixinha do conforto, para nos cruzarmos com novas ideias, plataformas e formas de conduzir os dias. Recolhemos novas soluções até, para problemas que não tínhamos resposta. Escrevo-vos de Cannes. Uma autêntica linhagem de realeza, glamour e beleza. Uma Riviera com muita graça, mas com estados de alma complexos. Não é simples, o distanciamento que nos invade, mas sente-se a proximidade sobre as nossas origens e a nossa dimensão. Conseguimos até elevar a nossa perspectiva, até fora daquilo que desenhamos, inspirados por essa corrente de fronteiras, que nos transportam para novas conexões. E qual é a busca no meio de tudo isto? O que perseguimos quando saímos daquilo que tão bem conhecemos? Terá a ver com a natureza humana de conquista e de prazer? Será fruto da tão salientada tendência nacional para a descoberta? Ou será apenas uma condição humana para a própria sobrevivência? Em que pretendemos sempre ir um pouco mais além. Criar para depois partir. Guiar para depois no encontro, retomar o caminho. Esperançados de uma nova  mensagem, queremos no fundo, dar razão ao que já sabemos. E talvez tudo isto seja um circulo vicioso. Entre curiosidade e aquilo de que mais puro todos temos. O da procura do que nos faz feliz.

Sejam felizes.

Ana Rita Clara

CANNES