THE MAKERS | INÊS HOLTREMAN

Inês Holtreman é a terceira Maker escolhida, Country Manager da IE Business School/IE University e
Board Member da PWN Lisbon, uma rede única off e on-line dedicada a apoiar empresas que pretendem promover e incentivar o progresso profissional das mulheres. Uma entrevista em que o talento e sucesso feminino é chave de honra.

1. Como encaram as mulheres portuguesas o sucesso profissional?

De acordo com o estudo internacional “Defining Success” de 2013, da Accenture, empresa parceira da PWN Lisbon, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal encabeça as razões apontadas pelas mulheres para uma carreira bem sucedida, seguindo-se o dinheiro, o reconhecimento e a promoção.

Em Portugal, o tema do equilíbrio entre vida profissional e pessoal sobressai e as estatísticas testemunham-no: 73,9% das portuguesas trabalham, das quais 64,6% a tempo inteiro, comparado com a média da OCDE de 69% e 51,2% a tempo inteiro*. Entre as mães com filhos menores de 6 anos, as portuguesas apresentam a maior taxa de emprego a tempo inteiro de toda a Europa 64,7%**

Esta realidade também está patente nos objetivos das candidatas a mentee do Programa de Mentoring da PWN Lisbon, onde sou voluntária. Cerca de 40% das candidatas ao longo das quatro edições do programa alinharam como objetivo prioritário trabalhar o Equilíbrio Trabalho e Vida Pessoal, acompanhado de outros dois igualmente relevantes: Orientação e Promoção na Carreira e a Transição de Carreira.

*OECD EMPLOYMENT OUTLOOK 2002 Women at work: who are they and how are they faring?
**OCDE EMPLOYMENT OUTLOOK 2001 Balancing Work and Family Life: Helping Parents into Paid Employment

2. Como podem as comunidades e redes femininas fazer a diferença?

Podem começar por sensibilizar as empresas, nomeadamente os seus executivos de topo, pois está provado que são elementos decisivos para aumentar o número de mulheres nos lugares cimeiros das empresas. A McKinsey refere no seu estudo “Women Matter”, de 2010, que a proporção de mulheres nos comités executivos está ligada aos resultados das empresas. Logo, é claro o benefício das organizações em ter acesso ao melhor talento, quer seja feminino ou masculino.

Apoiar e instigar políticas públicas que apoiem a promoção da igualdade de mulheres e homens no mercado de trabalho é outra medida que faz a diferença. Creio que neste campo são essenciais a fiscalização de igualdade salarial para trabalho igual e os apoios à família, nomeadamente a proteção da parentalidade e a rede escolar.

É também importante apoiar o desenvolvimento de talento feminino, incentivando as mulheres a ambicionar e a preparar-se para cargos diretivos e em conselhos de administração. Na PWN Lisbon, em concreto, este apoio ao desenvolvimento passa essencialmente por identificação do talento feminino, formação, programa de mentoria, acesso a “role models” e networking.

3. Importância da PWN Lisbon no nosso País?

É uma associação sem fins lucrativos com um crescimento dinâmico na sua área de atuação: promover o progresso profissional das mulheres para que a diversidade de género e talentos sirvam o crescimento e bem-estar generalizados.

A PWN Lisbon tem 200 membros ativos. Além do programa de Mentoring, por onde já passaram 156 mentees criteriosamente selecionadas e cerca de 70 mentores reconhecidos nas suas áreas de atuação, destaco o programa de Liderança com workshops mensais, sob o mote das Neurociências em Ação, e o lançamento da iniciativa “Women on Board”, um grupo de reflexão constituído por Mulheres que se destaquem nas suas atividades profissionais e que tenham a ambição de promover uma maior participação das Mulheres na gestão de topo das Grande Empresas.

Todas as nossas iniciativas baseiam-se numa partilha de conhecimento e em networking, enquanto ferramentas poderosas para alcançar a nossa missão. Os membros podem beneficiar de pequenos-almoços de networking exclusivos e todos os interessados são bem-vindos ao evento internacional da PWN Lisbon, que reúne anualmente 300 pessoas para discutir as temáticas da diversidade e desenvolvimento.

Em Lisboa a equipa de voluntários é muito empenhada, criativa e motivada, permitindo que a Associação ganhe cada vez mais credibilidade e notoriedade.

4. Qual o papel de um mentor?

O mentor é alguém com conhecimento e experiência profissional relevante. É alguém com mundo e com crença no potencial do outro e desejo de contribuir para o seu desenvolvimento.

O mentor deve promover a capacidade de aprender da sua mentee, explorar a tentativa/erro, promover o insight, estimular a observação, propor desafios e linhas de orientação com base na sua experiência profissional, revelar empatia e capacidade de escuta ativa e manter a sua independência face à responsabilidade sobre os sucessos e insucessos da Mentee.

Os nossos mentores são absolutamente inspiradores e generosos e são determinantes no sucesso do programa de Mentoring da PWN Lisbon!

5. Que benefícios ocorrem com este estilo de orientação pessoal e profissional?

O mentoring é uma forma muito eficaz de ajudar pessoas talentosas a desenvolver as suas competências e aptidões, aperfeiçoar as suas estratégias de carreira e ganhar simultaneamente confiança e exposição. É sobretudo uma oportunidade fantástica para partilhar conhecimento e crescimento num caminho de aprendizagem objetivo. Uma mentee focada no programa e no seu objetivo sentirá com toda a certeza os benefícios no seu desenvolvimento pessoal e profissional.

6. As mulheres portuguesas são empreendedoras?

Portugal é o país com a terceira maior taxa de empreendedorismo feminino da Europa, de acordo com o estudo “Statistical Data on Women Entrepreneurs in Europe, European Commission 09/2014” (mas também ocupa o terceiro mais baixo nível de educação médio das suas empreendedoras).

No entanto, apenas 20% das nossas empreendedoras são empregadoras, as restantes são trabalhadoras independentes, o que resulta em 96% de empreendedoras portuguesas a gerirem empresas com 10 ou menos trabalhadores e apenas 1% empregam 50 ou mais trabalhadores.

São estas empresas empregadoras e estruturalmente maiores que são motores do crescimento económico de um país, dado a sua contribuição desproporcional nas receitas e na criação de emprego.

O atual ecossistema de empreendedorismo português, muito elogiado na imprensa internacional, irá certamente contribuir para que as nossas muitas empreendedoras se capitalizem e preparem para fazer crescer as suas empresas, contribuindo, assim, para o crescimento económico do país.

7. Mensagem para todas as mulheres que querem transformar as suas vidas.

Creio que é importante termos consciência de que cada uma de nós é o principal agente da sua transformação. Crescermos e desenvolvermo-nos continuamente, seja pessoal ou profissionalmente, é, na minha opinião, um dos desafios mais interessantes e compensadores da nossa vida. Este desafio passa por termos capacidade de pensar criticamente e com objetividade o nosso quotidiano, expectativas e ambições. A relação de Mentoring potencia todo este processo verdadeiramente transformador, é absolutamente incrível (e muitíssimo gratificante e até um bocadinho avassalador, dada a responsabilidade que daí advém) ouvir testemunhos das participantes em programas anteriores que referem “este programa mudou a minha vida, sinto-me outra!”