World Press Photo 2015 | Fotografar a Alma

Olhar de frente uma imagem. Que já sabemos que nos pode oferecer um mundo de emoções, um universo particular e paralelo ao nosso. E de repente a perspectiva é nova, é diferente, é estranha, mas também consensual. Informa e provoca ao mesmo tempo. Empatizamo-nos com o realismo da acção, ou reagimos alegremente ao resultado final.

Quem domina a técnica da fotografia, domina a técnica das emoções reais e verdadeiras. Trata-se de uma arte que vai para além do simples acto de fotografar. E compreende todo um metaforizar daquilo que é a nossa vida actual.

Fotografar representa em si a criação de uma obra de arte. E consegue alcançar estádios de conexão fundamentais para compreendermos até aquilo que nos envolve.

“Fotografar, é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração.”

(Henri Cartier-Bresson, 1994)

São estas as palavras da sabedoria e da experiência, que transparecem tudo aquilo que representa esta nobre estética visual. E ter essa capacidade é um dom enorme. E na procura dessas imagens relevantes não apenas para o hoje, mas também para o amanhã é que se apresenta o World Press Photo, em Lisboa.

Não deve hesitar sequer. Deve manter o rumo para este destino, para que consiga desfrutar destas imagens surpreendentes e que colocam o dedo nas feridas e problemas sociais da actualidade.

O grande vencedor, desta 58ª edição, que recebeu quase 98 000 fotografias de 5692 fotógrafos de 131 países, foi o dinamarquês Mads Nissen, com uma fotografia que acompanha um momento íntimo de um casal homossexual de São Petersburgo, na Rússia. Uma imagem única, que coloca em destaque a perseguição e a discriminação que as instituições mais conservadoras daquele país fazem à minorias sociais. Quando o fotógrafo recebeu a notícia da sua vitória, a reacção denunciou claramente a importância desta atribuição e a sua relevância para este momento social.

“Fico tão feliz. Isto vai ser tão importante para eles”.

“Eles” são o casal homossexual que deu o corpo e o rosto a esta fotografia memorável, Jonathan Jacques Louis (21 anos) e Alexander Semyonov (25 anos). Esta série de Nissen surgiu quando numa viagem sua à Rússia viu um amigo seu activista dos direitos homossexuais, ser brutalmente atingido quando se despedia com um beijo do seu namorado. E, nesse momento, começou a criar esta série que coloca este tema como prioridade de mudança.

Acredito na arte como motor e mobilizador para esta alteração de perspectiva. E são já muitos os que a praticam. Porque não deixar-se inspirar e aprender a olhar o Mundo sem filtros ou efeitos especiais?

1º LUGAR – FOTO DO ANO 2014
Mads Nissen

Fotógrafo de documentários dinamarquês.
De 2004 a 2006 trabalhou como fotógrafo para o jornal dinamarquês Politiken, e, posteriormente, como fotojornalista freelancer para jornais como Newsweek, TIME, Der Spiegel, Stern ou Sunday Times. Documentou a crise alimentar na Nigéria, a superpopulação nas Filipinas, e a floresta amazónica.

2º LUGAR – ASSUNTOS CONTEMPORÂNEOS
Tomas van Houtryve

Fotógrafo, artista e autor que se envolve em questões contemporâneas críticas em todo o mundo.
Inicialmente estudante de filosofia, Tomas desenvolveu a sua paixão pela fotografia enquanto matriculado num programa universitário no estrangeiro, Nepal. Imediatamente após a licenciatura, em 1999, dedicou-se totalmente ao fotojornalismo, começando com a Associated Press, na América Latina. Foi o primeiro fotógrafo da AP a cobrir a prisão militar na Baía de Guantánamo, Cuba, e em 2002 viajou para Kandahar para fotografar famílias dos prisioneiros de Guantánamo.

3º LUGAR – RETRATIS
Paolo Verzone

Fotógrafo sediado em Paris. Desde que começou a tirar fotos, aos 18 anos, sempre dividiu a sua fotografia entre retrato e reportagem.
Durante os últimos cinco anos, trabalhou numa série de retratos dos alunos da academia militar em toda a Europa. “Cadets” foi publicada pela Editions de La Martinière.
Os seus trabalhos já foram publicados em revistas internacionais, como Time, Newsweek, The Sunday Times Magazine, Wall Street Journal, The Independent, o Guardian, Le Monde, Vanity Fair, Geo. As suas fotos estão nas colecções do Victoria and Albert Museum, Londres, e da Bibliothèque Nationale, Paris.

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NOTICÍAS, 1º LUGAR (SÉRIES)
Pete Muller

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NOTÍCIAS, 2º LUGAR (SINGLES)
Massimo Sestini

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VIDA QUOTIDIANA, 2º LUGAR
Sarker Protick

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Informações

World Press Photo 2015
Museu da Electricidade
Av. Brasília, Central Tejo, Lisboa
De 30/4 a 24/5; 10h-18h (fecha 2ª)
Preço: €2