PATTI SMITH. QUEEN OF ANY AGE

E quando se fala em ambiente de festival de música, pensamos imediatamente em nomes marcantes e que rejubilam o nosso espírito. Assinalam a força da música, das palavras, das emoções e daquilo que realmente importa estar em cima do palco.

E quando se ouve Patti Smith algo estremece. Depois de dois concertos surpreendentes, no festival NOS Primavera Sound, acaba por ser incrível como canções de 1975 ainda inspiram a actualidade artística e musical. O álbum “Horses” desta poeta sem tempo inundou as almas deste festival inebriante, que realmente respira música e acolhe o sentido estético do futuro, com ligações ao passado e ao futuro.

Apresenta-se como o espaço que defende as expressões artísticas colectivas do momento. E que encerram em si, as melhores condições para a contaminação daquilo que melhor se faz na música. O poder deste álbum, desta alma sábia dos sons e das obras épicas, consegue representar bem o que também se vive no momento cultural.

Dois concertos extenuantes, que comprimiram um ambiente intimista e acústico, com um outro de força maior e visceral. Nas palavras da própria Patti Smith,

“É o 40ª aniversário deste álbum e sinto-me orgulhosa por estar viva e estar suficientemente forte, para tocar estas canções.”

Estas são as músicas que comunicam a força das palavras, com os termos que evocam os verdadeiros sentidos de mudança e transformação. Onde a rebeldia se une à necessidade de colocar à frente os valores morais mais ferozes. E, neste culto e obsessão da pop com o seu próprio passado, encontramos as respostas para o sucesso destes eventos culturais. Talvez a magia da pureza das criações desse tempo, ainda nos leve a querer recuperar esse outro tempo.

E as gerações que circulam nos festivais, continuem inspiradas por essa essência crua e real, de quem está a criar efectivamente algo de novo. Quando as músicas não envelhecem, existem conclusões a serem retiradas. Os tempos não mudaram assim tanto e, afinal, aquilo que realmente nos contagia, não tem idade.

Ou até,… aquilo que criamos nos momentos de hoje poderá surpreender, mas ainda está distante deste legado único. Mas, sem dúvida, que o presente e o futuro prometem algo de marcante e que irá sustentar a mudança de paradigmas.