A rainha sem monarquia

Hoje, Portugal e o Mundo sentem-se mais sós. Adormecem mais sozinhos do que em qualquer outro dia. Partiu Maria Barroso, uma mulher referência para mim e para todas as mulheres que defendem a sua voz. Esta mulher bem que poderia pertencer à monarquia, à realeza, à democracia, às causas, à cultura, às minorias e aos libertadores. Bem que podia, porque tinha pele de rainha no sentido da sua assertividade.

Porque manifestava uma nobreza de caráter capaz de envergonhar o mais ilustre dos monarcas. Como aconteceu na sua resposta a Sofia de Espanha, em 1995, quando Maria Barroso a convidou para uma conferência em Lisboa.

“Porque não sucede ao seu marido?”

Ao que respondeu

“Majestade, isto não é uma monarquia!”

E era esta sua naturalidade, esta diplomacia sempre presente, que tão bem a caraterizaram e que nos passaram uma imagem marcante. E sobretudo um sentido de justiça, de solidariedade, de liberdade.
Pelo menos é isso que retiro, neste momento de perda profunda. E em que nos sentimos menos acompanhados.

️Obrigada Maria Barroso. Pela inspiração, pela luta, por nos lembrar todos os dias de que vale sempre a pena dar mais um bocadinho de nós aos outros. Tem razão. Ficamos maiores dessa forma. Como sempre foi…