JÁ ME ESCREVESTE HOJE UMA CARTA DE AMOR?

Escrever sobre Amor nunca foi fácil. Pelo menos quando nos emocionamos com as palavras sofridas, que vivem o Amor desesperado, sem forças e com dependências, nos livros com que nos cruzamos. E facilmente conseguimos até relacionar a ligação entre este sofrimento e o Amor.

Há quem diga até que o Amor surge desse lado magoado, que vive dentro deste mágico sentimento.

“Amar é sofrer”

Disse-me uma vez uma amiga sorridente, com a certeza de quem já viajou pelo Mundo, mas que consegue valorizar a nossa pequena aldeia de emoções e sentidos. E outro responde:

“Sim eu sei. Amar também pode doer, mas isso pode ser consequência do nosso lado animalesco quando estamos a amar verdadeiramente alguém.”

Será isso mesmo?! Nas palavras de quantos poetas, lemos tantas e lindas abordagens sobre aquilo que o Amor representa nas suas vidas. Naquilo que este sentimento consegue realçar em cada um de nós. Artistas, cantores, escritores, músicos, bailarinos, professores, médicos, calceteiros, pescadores ou simples carteiros… e tantos mais… apresentam diferentes maneiras de encarar o Amar, de o sentir, de o viver, de o traduzir em palavras.

E, no entanto, somos todos humanos. Somos todos feitos dessa mesma procura por aquilo que nos pode tornar mais felizes, mais completos.

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Escreveu um dia um dos maiores tesouros portugueses, Fernando Pessoa. E não podemos nunca fugir a essa terna e inevitável raiz romântica que palpita na alma de todos nós. Que mais parece uma herança da qual não podemos fugir.

Amar é vencer medos, sem medo de sentir. É querer parar o tempo, porque o tempo apressa o amar. É sentirmo-nos fora de nós mesmos, quando vemos o outro. Aquele ali, mesmo ali, mesmo aqui ao lado. É talvez até sermos quem realmente queremos ser, perto daquele outro alguém.

“Quero-te não exatamente por quem tu és, mas por aquilo em que me torno quando estou contigo.”

Lançou ao mundo Gabriel Garcia Marquez. E é tão verdade. Escutamos estes dizeres, e eles ficam dentro de nós. Não saem da cabeça, do coração, dos nossos sentidos.

Comecem esta nova semana com este meu pedido. Apaixonem-se. Descubram aquele grande Amor. Desafiem as regras da normalidade e surpreendam. Amar afinal, é isso mesmo, não?! Ultrapassar as barreiras do conformismo, para voltarmos a escrever cartas e a sentir borboletas na barriga.