CEMITÉRIO DE ÁGUA GELADA

Vivemos um momento decisivo e muito delicado, em que os portugueses e a Europa se debatem interiormente para tomarem uma posição e atitude perante a maior crise humanitária de todos os tempos. Os refugiados. Milhares e milhares de pessoas, sem justiça nas suas vidas, a quem lhes foi entregue uma carta de destino dramática e infeliz.

Refugiado “Toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo. Ou devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. E se atira na busca da paz para si e para os seus.”

Mas quando mergulha para essa viagem, atira-se para a mais dura das travessias. E quando encara o Mediterrâneo, perde-se nestas águas geladas e condenadas à morte. São milhares as mortes nesta passagem e tentativa de alcançar terreno seguro e firme. E acredito que estão todas as forças a serem pensadas, para se transformar este “Cemitério” que se tornou o Mediterrâneo.

A Europa tem estado a ser posta à prova, sim, é verdade. Pela crise que vivemos e de que fomos alvo, dos intensos e também difíceis caminhos que todas as pessoas tiveram de alterar e tomar nas suas vidas. Mas esta é uma outra crise. Trata-se da crise humana, em que os valores reduzem estas almas refugiadas e perdidas a nada. Em que os seres humanos são tratados como incómodo, a quem lhes é muitas vezes virada a cara e negada a ajuda. Os esforços estão a ser realizados. As forças políticas e o poder de decisão inclinam-se para a corrente entre os países da União Europeia e a criação de uma rede e plataforma que suporte e dê apoio a tantas e tantas pessoas. E é urgente a reacção das forças e sinergias, para que se consiga dar a mão a estas vidas. Que se perdem a cada segundo. São milhares. Imagens chocantes, que nos provocam arrepios por toda a pele, nos fazem sofrer e chorar. Nos emocionam e nos enraivecem pela possibilidade de acontecerem.

E que neste século que vivemos, ainda não conseguimos dar resposta a estas catástrofes humanas. Devemos sempre dar a mão. Sermos únicos e ligados humanamente ao outro. Ao que sofre, ao que precisa. E para tantos portugueses que se assustam  com toda esta realidade, tomemos agora tempo nesta necessidade de sermos cada vez mais uns para os outros. Verdadeiramente. Com uma estratégia integrada, que é justa para todas as  partes. Mas que nunca vira o rosto à realidade. Não queremos uma Europa que constrói muros para ficar distante e protegida de quem a procura. Não existimos sozinhos no Mundo. E devemos sim, repensar toda a linha de pensamento e de igualdade que existe entre todos nós. Nem todos nascemos num País que viveu a sua Revolução dos Cravos, sem derramar uma única gota de sangue. E se nos orgulhamos dessa vivência, devemos também ser humanos o suficiente, para abraçar quem não tem essa integridade de vida.

Aproveitem ainda para ver a petição da Amnistia Internacional para ‘Acabar com a morte e sofrimento nas fronteiras europeias’ aqui