“Nem Uma a Menos” | Argentina aqui ao lado

“Nem Uma a Menos” | Argentina aqui ao lado

No mundo em que vivemos desejamos que algumas coisas já não tenham espaço. Desejamos que a igualdade de género se torne num tópico do passado e que as mentalidades assumam essa alteração. Mas o universo não funciona dessa forma. Tal como  os “pózinhos mágicos” do cinema.  Queremos que essa transformação seja real e praticamos o melhor possível nos nossos dias, mas o que é certo é que apenas na interioridade de cada um de nós é que a grande mudança acontece.
O caso da violência contra as mulheres incomoda-me profundamente. Não aceito, não consigo não reagir e acho intolerável. Não apenas pela agressividade e violência física praticada contra o género, que já de si, me retira a paz de espírito, mas também por tudo o que a envolve e a clara noção de que existe aqui alguma passividade social em relação a estas atitudes.
No encontro criativo do meu Movimento “Change IT”(www.changeit.world), a 12ª edição, foi dedicada à Tolerância. Com a presença de vários changers, nomeadamente Antónia Barradas (da Amnistia Internacional) e ainda João Lázaro (Presidente da APAV). E a conversa e o debate fluíram por essa atitude conformada que parece existir em pleno século XXI. E pensar que em Portugal os números também acompanham outras realidades e incomodam o nosso sentido de povo evoluído.
A manifestação actual nas ruas de Buenos Aires, de mulheres revoltadas com essa agressividade existente, disseminou uma reacção global por outros países, como a Bolívia, Uruguai, Chile, México, Paraguai, Guatemala e El Salvador. Nos cartazes das manifestações, conseguimos ler “Se tocarem numa de nós, reagimos todas”, num grito sentido e revoltado sobre o “crime de honra” que tirou a vida a uma adolescente de 16 anos de idade.  “Nem uma menos” também aparece nesta verdadeira crise humana e social. CHEGA! Queremos que esta violência termine! Não quero viver neste mundo desigual, que se aproveita de quem tem menos força, para agredir e coagir. E nestas sociedades machistas é tempo de parar com estes choques à decência humana.
Quero a Mudança! Exijo-a neste mundo em que vivemos. E quero educar o meu filho para o respeito às mulheres e a qualquer ser humano; quero ensinar-lhe o valor de uma cultura que respira liberdade, igualdade, bondade e tolerância. E se cada um de nós realizar algum esforço neste sentido, tenho a certeza que a transformação irá acontecer.