THE MAKERS | Sofia Tenreiro, Directora Geral da Cisco

THE MAKERS | Sofia Tenreiro, Directora Geral da Cisco

Essa atitude de energia positiva é o que me permite ter sucesso todos os dias e sentir-me realizada.

1 |   É uma mulher realizada a nível profissional e pessoal. Se tivesse que definir “sucesso” como o faria?

Sou uma mulher realizada tanto a nível profissional como a nível pessoal. O meu sucesso tem que ver com a superação dos objectivos que tenho definidos, com a paixão e motivação que sinto todos os dias com o que faço e com as pessoas com quem interajo. Acordo sempre com um grande optimismo, uma grande vontade de impactar os que me rodeiam e uma enorme energia para desempenhar as tarefas que tenho definidas. Essa atitude de energia positiva é o que me permite ter sucesso todos os dias e sentir-me realizada.

2 | Trabalhou muito tempo com mercados internacionais. Acha que ter uma experiência profissional no estrangeiro é crucial para uma boa ascensão na carreira?

Num mundo que muda cada vez mais rapidamente, é crítico ter-se agilidade e abertura para analisar a realidade mutante e adequar os nossos planos constantemente. Acredito que a minha experiência profissional no estrangeiro me permitiu desenvolver essas competências e aumentar o gosto pela rapidez com que as situações evoluem. É muito importante que, ao longo da nossa carreira, com especial incidência no início da mesma, consigamos ser expostos a muitas variáveis diferentes, experiências profissionais ricas e dispares que nos dêem uma abertura de espírito e grande agilidade, bem como conhecermos e trabalharmos em culturas diferentes da nossa para podermos ter tolerância, abrangência e muita flexibilidade. O mundo é diverso e a nossa maneira de pensar tem de apresentar grande diversidade para podermos ter sucesso.

3 | Depois da sua experiência na Microsoft, a primeira no mundo da tecnologia, e apesar de nunca ter tido uma experiência vasta no negócio B2B, na altura a Cisco não “pestanejou” e convidou-a para liderar a empresa portuguesa. Acha que hoje em dia o mercado português valoriza cada vez mais as soft skills e a capacidade de rápida adaptação a diferentes circunstâncias, ao invés das chamadas hard skills?

Cada vez mais se valorizam as soft skills como complemento às hard skills não só em Portugal, como no estrangeiro. Com a rápida mudança no mundo, das variáveis de negócio, de toda a nossa envolvente, as hard skills ficam desactualizadas frequentemente, sendo necessário um foco muito grande por parte de cada um de nós na garantia de que estamos constantemente actualizados. Por outro lado, para fazermos face a todos os desafios com que nos deparamos é cada vez mais imprescindível ter soft skills fortes, sendo um deles, a curiosidade e vontade de aprendizagem do que vamos necessitando ao longo da nossa carreira e da nossa vida. Com grande entusiasmo estou certa de que ainda terei de aprender muitas coisas diferentes ao longo do resto da minha vida, a maior parte das quais, não tenho qualquer ideia de qual será. Esta incerteza é fascinante porque torna a nossa vida imprevisível e muito apaixonante.

4 | Já referiu anteriormente que a sua prioridade enquanto Directora Geral da Cisco é o desenvolvimento e a motivação da sua equipa. Como procura fazer isso?

Gosto de me focar nas pessoas. É delas que retiro a minha energia e motivação. Incluo não apenas a minha equipa, mas também as pessoas com quem interajo no dia-a-dia, parceiros, clientes, outras pessoas da indústria. Em relação à minha equipa tenho um princípio: Estou sempre disponível para ajudar, contribuir para os sucessos e apoiar nos problemas e dificuldades. As equipas são o maior factor crítico de sucesso das empresas e, especialmente num mundo como o que vivemos actualmente, necessitam de muita atenção, desenvolvimento e coaching.

5 | Dada a importância que dá às relações dentro de uma empresa, e a forma como as equipas colaboram entre si, considera o Networking é uma ferramenta essencial para o sucesso?

O Networking, quando feito de forma autêntica, é fundamental para o nosso sucesso como profissionais e como pessoas. Considero-me sempre muito grata pelas pessoas diferentes que conheço porque me aportam experiências ricas, novas aprendizagens e novas formas de ver o mundo.

6 | Referiu numa entrevista que existia falta de jovens mulheres que no futuro conseguissem enveredar por uma área da tecnologia. Continua com a mesma percepção do mercado? Porquê?

Infelizmente há uma imagem não muito positiva das carreiras em tecnologia que não tem atraído os mais jovens, especialmente as mulheres, que tanto necessitamos nas várias áreas de IT. Todos nós que trabalhamos na industria tecnológica devemos aceitar a responsabilidade de partilhar a nossa história, a nossa paixão e o quanto nos realizamos nesta indústria fascinante. Acredito que com tais testemunhos conseguiremos influenciar os jovens a seguir uma carreira que os realizará e desafiará constantemente.

7 | Como conjuga a sua vida pessoal, de mulher e mãe com o cargo tão importante que desempenha na Cisco?

A conjugação da nossa vida pessoal e profissional é mais um desafio com que temos de lidar diariamente, mas como uma boa rede de suporte, tudo se consegue. Além do mais, acredito com muita convicção que se formos realizadas profissionalmente, desempenharemos muito melhor e com muito mais paixão, o papel de mães e de mulheres, porque nos sentiremos mais completas. De igual modo, seremos um exemplo positivo para os nossos filhos e filhas que olharão para carreiras activas de outra forma.  O facto de ser apaixonada pelo que faço sempre me ajudou neste balanço porque relativiza os sacrifícios que se fazem deixando, os mesmos, de ser considerados sacrifícios.

8 | Acredita que pode inspirar outras mulheres a explorarem áreas que são maioritariamente constituídas por homens. Se tivesse que dar um conselho para as jovens mulheres que estão neste momento a iniciar a sua vida profissional, qual seria?

O meu conselho passa por arriscarem e aceitarem desafios grandes que as obriguem a sair da sua zona de conforto. Quando isto acontece é quando aprendemos mais, crescemos mais e também nos realizamos mais. Muitas mulheres apenas aceitam novos desafios se tiverem a confiança de que estão 100% preparadas para os mesmos. No entanto, o “learn in the job” é muito importante para a contribuição que cada um de nós tem nas suas funções pelo que é preciso arriscar e focar-se muito na aprendizagem, e no colmatar de todas as lacunas que possam existir, o mais rapidamente possível.

9 | Que ambições ainda restam a quem já conquistou tanto?


A ambição de continuar a acordar todos os dias feliz, com vontade de impactar positivamente o mundo e todos os que me rodeiam, quer a nível pessoal quer a nível profissional. E a ambição de continuar a viver uma vida que me surpreende todos os dias, que me permite estar fora da zona de conforto e pela qual sou muito grata!