Punhos ao alto | Obrigada, Winnie Mandela

Punhos ao alto | Obrigada, Winnie Mandela

Custa-me saber que ainda há bem pouco tempo escrevi um texto cujo conteúdo era, em parte, semelhante a este. Morreu ontem Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher (e primeira) de Nelson Mandela e combatente anti-apartheid na África do Sul. É assim que está em todos os meios de comunicação social. É aqui que pode e deve começar a mudança – aos poucos e começando por nós, comunicadores, que temos uma responsabilidade social acrescida.

Reformulo de forma devida: Winnie Madikizela-Mandela, combatente anti-apartheid na África do Sul e ex-mulher (e primeira) de Nelson Mandela. É uma questão de ordem, de importância, de relevância, de estatuto. Winnie era isso: muito mais do que uma ex-mulher. A ativista que a África do Sul conheceu cedo e rápido aplaudiu.

Como sabem, emocionam-me mulheres que lutam. Com a frustração escrevo o pouco que consigo de alguém a quem os nossos dias de liberdade devem uma ovação de pé.
Winnie começou a fazer a diferença cedo, aos 19 anos, quando obteve um diploma como assistente social, uma exceção para uma mulher negra na altura. Em 1957 casou-se com Nelson Mandela e após a prisão do marido, Winnie assume a liderança da luta ao apartheid e do Congresso Nacional Africano. Lê-se no comunicado do seu falecimento: “lutou corajosamente contra o apartheid e sacrificou a sua vida pela liberdade do país. Manteve viva a memória do marido enquanto esteve preso em Robben Island e ajudou a dar à luta pela justiça na África do Sul uma das suas faces mais reconhecíveis”.
Nas primeiras eleições democráticas de 1994, em que Mandela foi eleito Presidente, Winnie foi eleita deputada e posteriormente nomeada ministra-adjunta das Artes e da Cultura. Nunca perdeu o seu lugar no Parlamento e em 2016, três anos depois da morte de Mandela, a ativista recebeu a Ordem de Luthuli pela “excelência da sua contribuição na luta pela libertação do povo da África do Sul”. Uma mulher que nos faz sentir pequeninos e a quem a palavra “limite” nada disse.

Tal como com Marielle Franco, embora em dimensões diferentes, o caminho desbravado por Winnie incute-nos uma responsabilidade: a não conformidade, a luta pelos direitos humanos, a luta pelos direitos iguais, pelo respeito à diferença e pela emancipação.

Mais não posso acrescentar. Obrigada!