O contra-relógio na Tailândia

O contra-relógio na Tailândia

Estamos todos, inevitavelmente, de olhos postos nos jornais e televisões. Uma corrida contra-relógio que nos parece tirar o fôlego. Ao que se sabe até agora, oito crianças já foram retiradas da gruta. Falta resgatar mais quatro e o treinador. Vemos as imagens e o sentimento é de puro desconhecimento. Nenhum de nós imagina a ansiedade que deve estar em cada uma daquelas pessoas: nas crianças, no treinador, nas equipas de salvamento. Estão há 15 dias dentro de uma gruta… 15 dias. Com os media do mundo todo de olhos postos, estas equipas de salvamento têm vidas nas mãos. Pior: tomar decisões.
Sabe-se que está tudo a correr bem mas que, por hoje, os salvamentos podem ficar por aqui. E mais um dia passa.

Sempre fui sensível. Estas situações sempre me causaram muita angústia. Porém, e acho que todos perceberão, desde que fui mãe que tudo me atinge e aflige o dobro. É inevitável não nos pormos na situação do outro que sofre com um filho dentro de uma gruta – sem comer, sem beber, com frio, dores, etc. Tentar manter a calma, não perder a esperança e conseguir ir buscar forças. Isto de se ser pai/mãe tem em si um poder muito especial. De onde vêm as forças? Será que temos noção das nossas capacidades de sentir? Acho que ser mãe é isso… Achamos sempre que nunca se pode amar mais, nunca se pode ir buscar forças a mais… Mas pode. Um filho faz-nos transpor qualquer limite.

Bom… É continuar a acreditar nos nossos profissionais, continuar a acreditar na força de cada uma daquelas crianças e esperar que a sorte esteja do lado delas.

No final de todas as contas, somos todos humanos, somos todos parte da mesma família. Estamos juntos.